09/03/2020 / Ramon Cardoso

Política

“Eu causei algum prejuízo à cidade?”, questiona Claiton em coletiva

A primeira entrevista coletiva dado pelo prefeito Claiton Gonçalves após o segundo pedido de impeachment, que ocorreu no final da manhã desta segunda, na sala de reuniões de seu gabinete, foi muito diferente da primeira (foto acima, de Ramon Cardoso/Jornal Informante). Se naquela o chefe do Poder Executivo tergiversou, não respondeu objetivamente às questões e procurou fazer um apanhado das ações de sua gestão, nesta ele primou pela objetividade, embora também tenha, em muitos momentos, reportado as conquistas obtidas ao longo de seus dois mandatos.
Acompanhado do vice Pedro Pedrozo, Claiton falou que o processo de impedimento é totalmente político e que confia que os vereadores irão votar pela continuidade de seu mandato. Relatou que pretende conversar com os parlamentares, que entende a pressão que estão submetidos, especialmente por se tratar de um ano eleitoral. O prefeito falou que o município passa por uma “Guerra Civil Política” e que isso é muito prejudicial à cidade, que estão tentando calar sua voz politicamente.
No fim da coletiva, visivelmente emocionado, Claiton falou que está tirando uma licença para cuidar de um problema de saúde e também de sua defesa nos dois processos. Ele deixa o Executivo com o vice Pedrozo que assumirá por tempo indeterminado a partir de quarta. Confira principais trechos da conversa.

Impeachment
O pedido é um ato político, que se embasa, faz uso de subterfúgios da gestão para pedir o meu impedimento. Há um conflito jurídico onde a lei federal deveria se sobrepor à legislação municipal. Não tenho culpa de não termos uma lei municipal que esteja atualizada, adequada. Em oito anos de gestão tivemos conquistas que o município não teve em 80 anos. Não tenho um ato ilício praticado e nada a esconder. Temos um governo transparente.

Plataforma de saúde
Não há problema no Tribunal de Contas do Estado (TCE) em fazer inferência sobre isso (o Tribunal suspendeu o pagamento da segunda parcela do software até a decisão do mérito), mas é importante que se diga que o atual software que gerencia a saúde está com contrato vigente até maio. Também adotamos um procedimento interno para uma verificação da questão. Temos a possibilidade de renovarmos o atual contrato em vigor, mas não é o que desejamos porque ele não está atendendo a muitos pontos que estavam definidos.

Defesas
Nesta segunda nós devemos mandar ao TCE os apontamentos que foram solicitados. E, paralelo a isso, estamos fazendo a defesa nos processos de impedimento, que são questões políticas. Pergunto: qual o interesse em sufocar uma voz que pode defender a região? Quem vai nos cuidar? Garantir o nosso futuro? Isso não é uma gincana, é o futuro das pessoas. Qual o prejuízo que causei à cidade? Adquiri um terreno com o objetivo de fazer um Hospital do Câncer. Que mal há nisso? O município não foi lesado. Qual o interesse nesse impedimento? É de me jogar na vala comum dos corruptos.  

Renúncia
Não penso em renunciar. A palavra renúncia não está no meu dicionário. Continuar é um dever. Vou seguir e apresentar a defesa. Do primeiro processo será apresentada hoje. Tenho confiança que os vereadores votarão pelo não impedimento.  

Conflito legislativo
Não tenho culpa que a Câmara de Vereadores não tenha avançado na questão das leis. Há um conflito e uma lei federal que permite o que foi feito (na compra dos terrenos). Não houve dolo, nenhum dano aos cofres públicos.

Conversa com vereadores
Manterei contato com os vereadores para um diálogo maduro, de cidadão. Acreditamos que os vereadores entenderão nosso posicionamento.

Deputado federal?
O futuro a Deus pertence. Não sei se serei candidato. Eu nunca me imaginei prefeito, nem sequer havia me imaginado como médico. Comecei a trabalhar como marceneiro em Gramado.

Desgaste
Eu estou cansado. Tenho passado noites em claro, mas não por conta dos processos, mas buscando encontrar caminhos para o futuro dessa cidade. Nós estamos no limiar de termos um oásis de desenvolvimento, de transformarmos Farroupilha em um Centro de Tecnologia. Esse processo é muito prejudicial à cidade, que fica paralisada. É muito ruim para a sociedade farroupilhense. Isso me angustia. Estamos vivendo uma “Guerra Civil Política” e isso não é bom, judia da cidade.

Licença médica
Todos sabem que eu tenho diabetes e ela está alta. Também tenho um problema no aparelho digestivo e farei uma biópsia no estômago para verificar precisamente do que se trata. Por isso, a partir de quarta o Pedrozo assumirá o Executivo e ficarei afastado por tempo indeterminado, para cuidar, não só da minha saúde como também da defesa nos processos. Vamos seguir trabalhando.

Reforma administrativa
Temos uma ampla reforma em análise, que reduzirá de 32 para 20 os cargos em comissão, sem qualquer prejuízo na prestação dos serviços públicos. Os cargos apenas terão uma maior amplitude. Projetamos um corte linear nos salários. O do prefeito vai ser reduzido de R$ 25 mil para R$ 17 mil. Temos uma projeção de reduzir os salários em 30%. Isso é para o futuro. Serão R$ 299 mil em economia na folha mensalmente. Por ano, teremos uma economia superior a R$ 3,5 milhões. Hoje estamos gastando 37,4% da receita em folha. Somos uma das prefeituras mais enxutas.  

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