15/03/2020 / Ramon Cardoso

Esporte

Coração e raça: Brasil vira pra cima da Chape e vence na estreia do Brasileirão

A volta do Brasil a uma competição nacional, por meio das gurias rubro-verdes, teve um pouco de tudo, mas sobretudo gols e emoção até o último minuto no Estádio Municipal Josué Annoni, em Xanxerê. Em um jogaço épico, a equipe feminina (foto acima, de Tati Petkovicz Pozza) conquistou uma vitória gigante que deixa bem claro que o Brasil não ingressou na competição como mero figurante.
O começo de jogo não poderia ser pior. Logo a 1 minuto, a ponta esquerda Kelly deu um carrinho no bico da área, a volante Naiane caiu e o juiz Édson da Silva, de arbitragem pavorosa, marcou o pênalti e ainda amarelou a atleta rubro-verde. Começava a brilhar a estrela da goleira Gil. A capita foi precisa ao espalmar no canto a finalização da ponta Laís, evitando a abertura do marcador.
Aos 8 minutos, Adri roubou bola de Laís, na defesa e acionou Tuca. A atacante rubro-verde ganhou a dividida, avançou e finalizou, mas por cima do gol. Aos 14 minutos, o time teve quatro escanteios seguidos cobrados pela meia Bruninha com perigo. Aos poucos, o Brasil começava a controlar as ações da partida. As volantes Sara e Laysa mordiam pra caramba no meio campo e Bruninha tinha condições de armar o jogo.
Aos 20 minutos, a meia fez ótimo lançamento, pifou Pati na esquerda que tentou o cruzamento, mas a zaga afastou. Aos 23, a lateral esquerda Jana cruzou e Tuca pegou de primeira, na meia lua da grande área, mas o chute saiu desviado. Com as volantes rubro-verdes bem posicionadas, a Chapa não conseguia sair tocando e apelava para o chutão. Em um deles, se deu bem.
A zagueira Patrícia deu um balão, a zagueira Ifi desviou e Luane perdeu a dividida com Giovana. Ela avançou livre área adentro, driblou Gil e marcou o 1 a 0 para a Chape, aos 25 minutos. O gol deixou o Brasil um pouco instável, mas o time catarinense não soube se aproveitar da situação. Somente aos 35 minutos uma nova chance foi criada. Laís cruzou e a zagueira Caroline cabeceou para fora.
Na sequência, Joyce foi lançada na área e entrou cara a cara com Gil, que abafou a meia rival e fez a defesa. Aos poucos, as gurias rubro-verdes se acalmaram e voltaram a agredir. Bruninha lançou Pati que escorou para Kelly que foi puxada, agarrada e derrubada pela zaga da Chape. Na cobrança, a meia do Brasil chutou fraco e a goleira Tainá fez a defesa com tranquilidade.
Aos 43 minutos, em outro chutão da defesa da equipe catarinense, Giovana, a atacante mais perigosa da Chape, aproveitou indecisão de Ifi e Luane, dominou, mas chutou por cima do gol de Gil. Não demorou muito veio o empate rubro-verde. Jana cobrou lateral para Kelly, que girou sobre a marcação e cruzou, a bola picou, a zaga não afastou e Tuca cabeceou para as redes: 1 a 1 aos 45 minutos.
Quando ao etapa inicial de encaminhava para o fim, em falta cobrada na diagonal da área por Laís, a bola bateu na mão da lateral Jana, mas ela estava apenas protegendo o rosto, ou seja, se não batesse na mão não iria para o gol, mas pegaria na sua face. Mão colada no corpo em movimento natural de defesa não é pênalti em canto algum, menos se o juiz for Édson da Silva, que marcou a infração de maneira bizarra.
Giovana cobrou, Gil até acertou o canto, mas o placar do intervalo ficou mesmo no 2 a 1 para a Chape. Na volta do intervalo, o Brasil veio disposto a buscar nova igualdade e não demorou muito para acontecer. Adri cruzou, Caroline afastou mal e a bola sobrou para a centroavante Pati que bateu forte, rasteiro. Tainá ainda desviou, mas insuficiente para tirar a bola do gol. Ela rolou mansa para as redes: Brasil 2 a 2 aos 2 minutos. A partir daí, foi o momento mais difícil do confronto.
Com um time Sub-17, as gurias da Chape imprimiram uma correria em busca de passar a frente do placar. O ritmo forte, o calor e a longa viagem das farroupilhenses começaram a fazer a perna pesar. A volante Nataliê arriscou chute no ângulo e Gil foi buscar. Aos 9 minutos, após rebater uma cobrança de falta lateral, a zagueira Carolina deu um chutão e a bola sobrou livre para Giovana que, da entrada da área, finalizou com perfeição, de canhota, no ângulo de Gil: Chape 3 a 2 aos 9 minutos.
O técnico Luciano Almeida colocou gás novo no time. Na troca da zaga, Ifi deu lugar a Letícia. Na do meio, Bruninha saiu para o ingresso de Fraa. O time catarinense começou a apelar para a cera a todo instante, satisfeita com o resultado. Aos 25 minutos, Tuca e Laysa, esgotadas fisicamente, deram lugar, respectivamente, à centroavante Pâmela, para forçar a bola no pivô e o jogo aéreo, e à volante Bianca, que entrou iluminada.
Aos 28 minutos, após cobrança de escanteio de Fraa no segundo pau, Bianca apareceu livre para empurrar para as redes: Brasil 3 a 3. A Chape voltou à carga. Aos 38 minutos, a lateral esquerda Ana Luiza cruzou à área, houve um primeiro desvio e a bola sobrou para a centroavante Brenda, livre, dentro da pequena área. Ela cabeceou para o chão e Gil operou um milagre, indo buscar a bola em cima da linha. Uma defesa no melhor estilo Gordon Banks. Era um sinal que algo especial estava reservado às gurias rubro-verdes.
Aos 45 minutos, Laís chutou por cima do gol de Gil no último arremate da Chape. Luciano promoveu uma nova troca, sacando Pati e colocando a ponta direita Greyce. Mas a Chapecoense se fechava e a pressão farroupilhense em busca da virada só aumentava. Em falta da intermediária, aos 50 minutos, Bianca cruzou para a área e a centroavante Pâmela, oportunista, se antecipou a goleira Taísa para o cabeceio, de costas, que empurrou a bola para as redes: Brasil 4 a 3 numa virada épica.
Aí foi só esperar a saída no meio campo, se posicionar bem no sistema defensivo e esperar o apito final, que selou uma vitória memorável das gurias rubro-verdes em um retorno triunfal do Brasil a uma competição nacional após 19 anos. Festa no gramado, festa no vestiário (na foto abaixo, de Tati Petkovicz Pozza) e, certamente, muita festa na viagem de retorno a Farroupilha, que será com uma bagagem extra e pesada, mas muito prazerosa: os três pontos da estreia na competição nacional.
“Foi um jogo muito difícil. Logo no início nós sofremos uma pressão da Chapecoense, não implementamos a nossa estratégia, mas aos poucos as gurias foram se soltando e conseguimos mostrar o nosso futebol, tivemos um pouco mais de calma, de lucidez nas jogadas. Foi um duelo muito parelho. Era lá e cá. Tomamos o gol e buscamos o empate em três oportunidades. No último lance conseguimos virar, numa falta frontal bem cobrada pela Bianca e com a Pâmela atacando a bola”, comentou o técnico, sem deixar de lado a necessidade de evolução da equipe.
“Eu fiquei muito satisfeito pelo resultado, mas precisamos melhorar muito ainda em termos de construção de jogo. O que valeu nesta estreia foi a entrega, a dedicação e, claro, os três pontos, mas agora, com a paralisação, teremos um pouco mais de tempo para trabalhar e, na próxima partida (em casa, nas Castanheiras, diante do Napoli), temos que evitar os erros que cometemos”, declarou Luciano.  

Resultados do Grupo F
As demais partidas do Grupo F do Brasileirão Série A2 foram disputadas no sábado. Em Caçador, o Napoli fez bom uso do fator local e goleou o Athletico por 4 a 0. No outro jogo, nas Laranjeiras, no Rio de Janeiro, o Fluminense fez 4 a 2 no paranaense Toledo. O único visitante que venceu na rodada na chave foi o Brasil.

Futebol suspenso no País
Com a partida em andamento, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou a paralisação do esporte no País por tempo indeterminado, devido à pandemia do coronavírus. Ou seja, tempo de sobra para saborear uma vitória histórica e ganhar ainda mais confiança para voltar ao nacional em casa, nas Castanheiras, em busca de novo triunfo e, quem sabe, encaminhar uma classificação.

Brasileirão Feminino Série A2
Grupo F (1ª rodada da 1ª fase)
Chapecoense   3

Tainá; Taiane (Ágata, aos 40 do 2º), Caroline, Patrícia e Stefanny (Ana Luiza, aos 23 do 2º); Nataliê, Naiane (Letícia, aos 23 do 2º) e Joyce (Beatriz, aos 30 do 2º); Laís, Giovana e Brenda. Técnico: João Romeu
Brasil   4
Gil; Adri, Ifi (Letícia, aos 11 do 2º), Luane e Jana; Sara, Laysa (Bianca aos 25 do 2º) e Bruninha (Fraa, aos 11 do 2º); Kelly, Tuca (Pâmela, aos 25 do 2º) e Pati (Greyce, aos 46 do 2º). Técnico: Luciano Almeida
Gols: Giovana, aos 25 e 48 do 1º tempo e aos 9 do 2º tempo, para a Chape; Tuca, aos 45 do 1º tempo, Pati, aos 2 do 2º tempo, Bianca, aos 28 do 2º tempo, e Pâmela, aos 50 do 2º tempo, para o Brasil
Cartões amarelos: Patrícia, Nataliê e Ágata (Chapecoense); Kelly, Luane, Pati e Letícia (Brasil)
Arbitragem: Édson da Silva, auxiliado por Deise Bellaver e Luciane Rodrigues dos Santos
Local: Estádio Municipal Josué Annoni, em Xanxerê
Data: 15 de março de 2020

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15/03/2020 / Ramon Cardoso

Copa Verão abre com muitos gols

Organizada pela Liga Independente de Futsal, a Copa Verão 2020 teve abertura oficial na noite deste sábado, no Complexo Esportivo do Parque Cinquentenário. Foram dois jogos, um pela Chave A e outro pela B, envolvendo farroupilhenses e caxienses.
Pela primeira, o Atlético Farroupilha (de uniforme preto, na foto acima, de Ramon Cardoso/Jornal Informante) duelou contra a Base Feminina Caxias, que abriu 2 a 0, levou um gol de desconto no final do 1º tempo, mas voltou arrasadora na metade final, com três gols logo no início. A partida terminou com triunfo das caxienses por 9 a 4.
No duelo de fundo, pela Chave B, a vitória ficou...

15/03/2020 / Ramon Cardoso